sábado, 21 de agosto de 2010

de longe, aqui dentro

Num corpo que se move impulsivamente, as entranhas mexem-me numa lentidão contrastante. O oposto seria o óptimo. Mas não, obviamente que não. Entranhas estranhas estas que não acham agilidade em si mesmas se não existir um objectivo para o qual todos os dias trabalhem. Esse é o grande problema. O que agora nos rodeia (ou seja, ao qual assistimos de relativamente longe) provoca ou sofrimento agudo ou apatia, sendo esta essencial para o mundo não parar e morrer de dor. E, procurando bem, parece-me ser este o motivo pelo qual os objectivos sérios escasseiam nas almas neste ambiente educadas. Já está instalado um tão feio modo de funcionar, adorado pelo poder, que a impotência que em nós existe trama-nos por completo a vida. E assim as minhas entranhas se mexem vagarosamente à espera de alguma coisa. Ai, que apatia a minha, desde quase sempre! Onde em mim fui eu encontrar isto? Onde em mim posso eu mudar isto? Conversem, entranhas. Conversem e depois informem-me do que descobrirem. Eu farei o possível para que o vosso diálogo seja possível, a sério.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Já começou Agosto. E vejo pedaços do meu coração em todo o lado, voando, atirados por uma força cruel que me quer matar. Vejo-os só a eles, sujos, irreconhecíveis. Tapam-me o sol e sou uma vampira num quarto escuro.

sábado, 31 de julho de 2010

-Choca, mano.

-Olá, como está? Há quanto tempo! - diz uma entranha à outra. Aos poucos vou voltando ao que eu era. As entranhas voltam a reconhecer-se umas às outras mas numa intimidade ainda longe. Por enquanto a relação é formal, mas existe. E hei-de evoluir até que elas se cambalhotem juntas, num abraço atrapalhado, bem ao meu jeito, sendo o que interessa o facto de elas se relacionarem de forma próxima. A reflexão interior ajuda, mas o que realmente impulsiona as entranhas se voltarem umas para as outras é algo exterior, não sei ao certo o quê. Mas sinto-me melhor, sinto que talvez não me tenha perdido por completo e ainda reste um niquinho de reboliço dentro de mim, reboliço voluntário por parte das entranhas, vontade delas se conhecerem umas às outras, me ajudando muito a voltar a mim. Que alegria!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Ciência e a Fé

O objecto de estudo da Ciência é a natureza. Mas a maior parte dos cientistas não acredita em Deus. Existe, aliás, uma incompatibilidade entre a profissão que estuda a natureza com o que quer que seja invisível. Ora isto me parece tão estranho que nem consigo descrever o que me provoca às entranhas! Reviram-se todas e picam-me, ai, tão lentamente que dói.
Qualquer cientista, ou pessoa que se dedica ao estudo do que é natural, tem aqueles momentos de maravilha e fascínio quando descobre algo interessante nos complexos sistemas orgânicos e não só. A quem será que essas pessoas atribuem a criação de tais coisas? De onde, de onde? Que inteligência pode ter criado tudo isto de forma tão perfeita? Surgiu do acaso? Foi o acaso que reuniu as condições para toda esta diversidade viver neste planeta? É por acaso que o nosso planeta tem atmosfera? O oxigénio abunda, as plantas, através da fotossíntese, dão-nos oxigénio, necessário à nossa sobrevivência. Que grande coincidência! As condições à nossa simples existência são tantas e é preciso tanta minúcia que eu não posso crer que tudo isto seja fruto do acaso. E se fosse apenas a espécie humana! Não, são tantos os seres vivos que habitam este planeta! São tantas os planetas! E, mais impressionante ainda é a forma como tudo funciona, as leis naturais são harmoniosas, mecânicas, conferem estabilidade ao que existe. Acho que é tudo tão intuitivo e natural que se pensa não ser nada de especial. Claro, nós já nascemos aqui, com tudo criado em prol do nosso bem-estar. Talvez as catástrofes naturais venham nos lembrar que existe uma inteligência maior que criou aquilo de que usufruimos e que, assim sendo, devemos gratidão em forma de boas obras.
É para mim surpreendente que a ciência seja antónimo de fé no senso geral. A Ciência devia ser, sim, o fundamento da Fé e não o seu oponente! Sinto realmente fortes picadelas aqui dentro dado o meu inconformismo. É aquilo que falta à nossa Humanidade: o despertar de uma fé raciocinada, moral! AMOR!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Hoje aqui dentro tudo se mexe devagar e tristonhamente. A minha arrogância e mais qualquer coisa fazia-me pensar, não pensar, imaginar que era muito mais importante para ti. Pensava ser uma estrelinha aos teus olhos, imaginava o teu coração mais cheio de mim, não mais cheio, transbordando de mim. Afinal não, afinal eu ocupo apenas um pedacinho e há tanta outra gente aí dentro. Egoísta eu! Arrogante. Não te posso querer só para mim, eu sei. Mas vai dizer isso ao meu coração! Vai! Ele nem te ouve, tem uns tampões ainda melhores que aqueles que a minha irmã usa para estudar. Sou má, eu sei. E também sei que esta surdez do coração não é desculpa, sou egoísta ponto

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A fé

As minhas entranhas contorcem-se todas com esta questão.
Jesus deixou um exemplo nobre e simples de seguir, mas acabou por ser morto. Agora, passados milhares de anos, ainda há quem mate pelo terrirório onde ele viveu. Agora, passados milénios, há quem faça a Via Sacra, lembrando o sofrimento que humanos como nós lhe causaram. Eu não consigo entender que raio de evolução foi a nossa em tanto tempo! Quanto à luta pelo território, não me pronuncio porque me parece em vão tentar entender actos tão bárbaros. Mas no que se refere aos rituais católicos de percorrer o caminho do calvário, de recordar Jesus na cruz, de imitar o seu sofrimento para redenção dos pecados, isso vale a pena entender porque a intenção é boa.
O mais importante que Jesus nos deixou foram os seus exemplos de bondade e de simplicidade. Ele não discriminava ninguém, não condenava quem quer que fosse tendo para isso toda a moral (atire a primeira pedra quem não tem pecados), era humilde, não resistia aos seus perseguidores. Jesus amou, Jesus nos tentou ensinar o que é o Amor! Ele falou, mas mais do que isso, ele agiu como perfeito que era (é). E é isto que a Humanidade deve lembrar, deve recontar, deve imitar. O mestre deu-nos tudo o que precisamos para sermos felizes!
Agora, para quê relembrar o sangue? Eu, vivendo em Fátima, já fui a várias Vias Sacras, mas só senti tristeza e vergonha! Tanta! É muito mais fácil nós mudarmos motivados pelas boas obras de Jesus do que pelo seu sofrimento. Porquê os crucifixos? Para quê? Jesus pregado na cruz é uma imagem tão aterradora. Eu adoro me lembrar do mestre de braços abertos! E não mais falarei nisto porque as minhas entranhas mexem-se demasiado rápido e desarmoniosamente.
A Nossa Senhora apareceu aqui. Apelou à oração e aos sacrifícios. Hoje ainda vejo pessoas percorrendo longos caminhos de joelhos. E, mais uma vez me sinto impressionada. A fé não pode ser cega! Deus nos deu o nosso corpo e devemos zelar por ele, não molestá-lo. O que Nossa Senhora aconselhou fazer foi a partilha dos recursos, a amizade. Os sacrifícios eram gestos como dividir o pão, partilhar com alguém que não tem. É isso!
Entristece-me que tanta gente, senão a maioria, não acredite em Deus. E entristece-me ainda mais que isso aconteça por causa destes rituais religiosos que revoltam. É urgente que as pessoas dediquem o seu tempo à reflexão, à oração, à prática do Amor! Quando fui estudar para Lisboa, fiquei chocada com a falta de fé das pessoas. No entanto, as pessoas são boas. Se tivessem fé, contudo, seriam mais firmes e mais motivadas.
É importante confiar.